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Escassez de matéria-prima é um entrave à indústria de derivados asfálticos

Escassez de matéria-prima é um entrave à indústria de derivados asfálticos

A Soida, indústria de derivados asfálticos enfrenta dificuldades na obtenção de betume asfáltico, principal matéria-prima para produção de todos os seus produtos.

De acordo com o director-geral da empresa, Rui Silva, a refinaria de Luanda é a principal fornecedora da matéria-prima, apesar das consideráveis melhorias mais recentes, a mesma contínua a ter algumas interrupções na comercialização da mesma. “Se a refinaria de Luanda estiver a funcionar na sua plenitude, não haverá necessidade de importar matéria-prima”, diz Rui Silva.

O gestor reconhece que existe esforço por parte da Sonangol para que a refinaria seja capaz de atender às necessidades nacionais, mas, na verdade, as interrupções persistem ao longo do ano, causando danos em toda a indústria e, consequentemente, em todos os projectos de construção e requalificação de estradas nacionais.

“Há uma necessidade conjunta na melhoria da qualidade dos produtos (matéria-prima), assim como das obras em si. Isto só poderá ser atingido através de uma colaboração técnica entre a refinaria, empreiteiros e donos de obra”, frisou.

Na sua óptica, a Sonangol desempenha um papel chave para que este tipo de indústria funcione, contribuindo para um preço competitivo por quilómetro de estrada em Angola. “ Isso só poderá ser atingido caso a Sonangol forneça produção nacional em quantidade e continuidade, impedindo as empresas que detém o monopólio de recorrer a importações de betume asfáltico. É urgente que Angola dê um fim ao betume importado”, alertou.

Segundo o responsável, a situação cambial não afecta proporcionalmente aquilo que é o objectivo da indústria, desde que as necessidades de matéria-prima sejam garantidas a nível nacional, ficando mais uma vez ressalvada a vital importância da Sonangol neste processo.

Líder no mercado

A Soida, segundo o seu gestor, é líder no mercado angolano na produção e comercialização de derivados asfálticos como emulsões e cut-backs, misturas betuminosas a frio como aglomerado e Slurryseal para a construção de pavimentos rodoviários, aeroportuários em obras públicas e impermeabilização industrial.

A Soida encontra-se também presente na comercialização de betumes puros e modificados, fruto de um consciente plano de crescimento delineado aquando da sua constituição.

O responsável relata que, no ano de 2020 foi necessário recorrer ao consumo de 2 mil toneladas de betume importado, que se traduziu num enorme esforço financeiro através de capitais próprios. “Esta importação foi mandatária para honrar contratos assumidos com clientes”, justificou.

Valor investido

A Unidade fabril teve um investimento de cerca de quatro milhões USD sendo que 2,5 milhões USD foram inteiramente dedicados a equipamentos.

Actualmente, a indústria conta com mais de 120 mil toneladas de betume e derivados produzidos e comercializados no mercado angolano, o que se traduz num volume de negócios a rondar os 2,250 milhões de Kz.

Capacidade de produção

Possui uma capacidade de produção instalada de 25 mil toneladas por ano para derivados asfálticos e 180 mil toneladas por ano, para massas asfálticas a frio.

Para Rui Silva existe um maior controlo por parte do Estado, mas acredita que muito trabalho tem ainda de ser feito junto das diversas empresas que continuam a coexistir no mercado sem o cumprimento das suas obrigações fiscais.

As leis do PRODESI, afirmou, têm as suas virtudes e será com “certeza uma estratégia para a médio e longo prazo”.

Aquele responsável falou também do plano de expansão da empresa, que passa por abrir durante o ano de 2021 mais uma unidade fabril, preferencialmente em Benguela, de forma a abranger uma parte importante do território nacional. “Há uma enorme desvantagem relativamente à concorrência quando é necessário fornecer obras nas zonas mais ao sul do país”, diz.

No mercado desde 2018, Rui Silva avalia o sector de derivados asfálticos com uma redução de mais de 50% em termos de volume de consumos durante os últimos 10 anos.

“Isto é sem dúvida muito negativo para a qualidade das obras, uma parte que deveria ser dedicada à construção não está a ser consumida, ou seja, não se estão a recorrer a técnicas convencionais de pavimentação. Por outra é praticamente nula a actividade de conservação e manutenção de pavimentos, o qual deverá ser feito com recurso aos materiais que produzimos”, referiu.

Apela aos órgãos de direito que o processo de comunicação das vias passasse por duas fases. Sendo a primeira um melhor planeamento para garantir que as vias de comunicação da rede primaria e secundária estejam sempre em condições mínimas e devidamente pavimentadas conforme solicitações requeridas.

Adianta que, a conservação e manutenção de estradas é um investimento vital a ser feito imediatamente a seguir á construção da mesma. “A falta desta em Angola, faz com que os grandes investimentos feitos em construção sejam perdidos por falta de manutenção, o que obriga a uma nova reabilitação num curto espaço de tempo”, diz numa alusão de que “um quilómetro de investimento em nova construção gasta o equivalente a 40 km de conservação de estradas já existentes”.

Artigo de https://mercado.co.ao/negocios/escassez-de-materia-prima-e-um-entrave-a-industria-de-derivados-asfalticos-YD1050463

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